
A fim de explicar de uma forma didática a origem de igrejas que alguns ortodoxos chamam erroneamente de 《não-canônicas》, primeiramente, precisamos entender quem são os grupos que se enquadram dentro do Cristianismo Oriental.
Os Anticalcedonianos
Os anticalcedonianos são um grupo de igrejas orientais que adotaram uma cristologia conhecida como Miafisismo. Nos primeiros séculos, surgiram muitas heresias entre os cristãos, uma delas era o Nestorianismo. O Nestorianismo enfatizava as duas naturezas de Cristo, mas de forma separada, como se Cristo possuísse duas pessoas em si mesmo. Eles também alegavam que quem nasceu da Virgem foi somente a pessoa humana de Cristo e não Sua Divindade. Por isso eles rejeitavam o termo Theotokos — a parturiente de Deus. (isso se parece com alguma alegação protestante moderna?) Portanto, para os nestorianos, Deus não sofreu ou foi crucificado.
Como reação, alguns cristãos adotaram o Miafisismo, que negava as duas naturezas distintas, baseados em algumas obras de Cirilo de Alexandria. Isso foi visto como Monofisismo, mas os miafisistas negam esse rótulo.
A posição adotada como dogma, de forma canônica pela Igreja é a doutrina do Diofisismo, que afirma as duas naturezas de Cristo, distintas mas unidas, além de duas vontades ou "modos de operação" na Pessoa única de Jesus Cristo.
Os partidários do Miafisismo acharam que essa doutrina se assemelhava ao Nestorianismo, o que é um engano, e acabaram por se separar da comunhão das Igrejas Ortodoxas após o Quarto Concílio de Calcedônia, em 451 d.C. Por isso são chamados de anticalcedonianos.
As igrejas consideradas miafisistas ou anticalcedonianas são: a Igreja Apostólica Armênia, a Sirian Ortodoxa, a Igreja Copta, a Igreja Etíope, a Igreja Indiana - Sirian Malankara e a Igreja da Eritréia.
Nós, da Igreja Católica Apostólica Ortodoxa, não consideramos as igrejas anticalcedonianas como igrejas 《ortodoxas》, pois se a Ortodoxia é o ensino reto, não podem existir dois ensinos cristológicos ortodoxos ao mesmo tempo.
No entanto, os consideramos como o grupo de cristãos mais próximos da Ortodoxia e rezamos para que em um futuro próximos eles sejam novamente inseridos na plena comunhão da Igreja.
NÃO-CANÔNICOS
As Igrejas Anticalcedonianas podem ser inseridas no grupo de 《não-canônicos》, ou seja, igrejas que eram genuinamente ortodoxas, com origem histórica e sucessão apostólica, mas que cismaram e não estão em comunhão com as Igrejas Ortodoxas.
Além delas, podemos inserir no mesmo grupo, as igrejas russas da antiga ROCOR, que não retornaram à comunhão com o Patriarcado de Moscou, em 2009. São as igrejas do Metropolita Agafangel na América Latina e, no Brasil, Dom Gregório Petrenko.
TORTODOXOS
Já os tortodoxos, são um grupo de pessoas sem qualquer ligação com as Igrejas Ortodoxas e com as Não-canônicas. São pessoas que nunca foram ordenadas ou são provenientes dessas igrejas, mas se afastaram ou foram afastadas por algum motivo. As motivações são variadas. O metropolita Athanasios de Limassol, em um de seus ensinos, descreveu de forma didática o que também é nossa realidade no Brasil:
"Há muitos falsos bispos e falsos padres em todas as épocas. Por exemplo, aqui no Chipre você pode encontrar pessoas que usam uma riassa [paramento litúrgico, batina] e fingem ser padres, embora não tenham ordenação. Eles fazem isso porque estão em um estado de ilusão espiritual, ou porque estão mentalmente doentes, ou porque são apenas golpistas."
Ou seja, são falsas igrejas que tentam, de alguma forma, emular as igrejas ortodoxas ou as anticalcedonianas. Nós alertamos as pessoas que não participem desse ambiente, pois, já ouvimos relatos de abusos e golpes cometidos por eles.
Há aqueles (poucos) que têm sinceridade e querem, realmente, viver um ethos ortodoxo. Mas estão sinceramente enganados, pois, não basta se dizer ortodoxo ou querer sê-lo. É preciso estar sob a direção de um bispo ortodoxo ordenado canonicamente, pois essa é a característica da Verdadeira Igreja de Cristo — uma sucessão de bispos que remete aos Apóstolos.
Se a igreja não possui uma origem histórica, se não está abaixo de um bispo ordenado canonicamente, qual a diferença dela para as modernas igrejas evangélicas? Não se comprova a sucessão apostólica por meio de CNPJ...
Há a liberdade de culto no Brasil, há a liberdade de alguém até mesmo iniciar uma nova religião, mas se passar por um grupo histórico do Cristianismo, como se houvesse qualquer tipo de ligação, é golpe.
Temos a liberdade, inclusive, de fazer essas afirmações, amparados pela Constituição. Ressaltamos isso, pois, é comum que as pessoas desse grupo façam ameaças a qualquer um que os exponha e diga que eles não são genuinamente ortodoxos.
Exposição
Geralmente, muitos desses falsos padres se apresentam como clérigos da Igreja Sirian Malankara. É fácil continuar enganando as pessoas quando se diz pertencer a um grupo exótico, de difícil acesso e comunicação. Mas nós fizemos nossa lição de casa...
Entramos em contato com algumas dioceses americanas da Igreja Malankara e expomos algumas dessas figuras. Também conversamos com algumas pessoas da Igreja Sirian Ortodoxa, julgando que essas igrejas anticalcedonianas tenham comunicação entre si. O resultado não poderia ser diferente:
As dioceses americanas negaram conhecer essas pessoas que apresentamos e um dos contatos da igreja Sirian nos contou acerca da existência de documentos falando dessa situação, além da confirmação de que a Igreja Malankara não possui atividades oficiais no Brasil e não ordenou nenhum clérigo brasileiro.
Há um famoso "padre" nesse meio que, inclusive, está participando da política, é responsável por algo dentro de um famoso partido político (assumiu a cabeça de chapa da candidatura após o outro político ser impedido).
Há cerca de um ano, um jornal local publicou uma matéria a respeito dessa pessoa, sendo desmascarado. Também entramos em contato com a jornalista responsável pela matéria e, segundo ela, esse "padre" ameaçou o jornal de forma incisiva. Aliás, não temam as suas ameaças, caso estejam expondo que não há ligação deles com nenhuma igreja histórica. Eles chegam ao ponto de abrir processos como forma de intimidação.
Um ex-fiel da Igreja Melquita (igreja sui iuri da Igreja Romana), nos contou acerca da origem desse "padre" e a origem de sua ordenação:
"Dom Fares, bispo dos melkitas, o acolheu na época. Ele ajudava na liturgia e chegou a ser seminarista, mas não deu certo. A partir daí passou a estar envolvido com essas fake church, até ser ordenado por um suposto bispo de rito bizantino, mas hoje se diz siriaco."
Recentemente, na primeira quinzena de setembro de 2022, a Igreja Sirian Ortodoxa (anticalcedoniana/não-canônica) emitiu um comunicado oficial, negando qualquer vínculo com o suposto padre. Como ele alega ser da Igreja Malankara — mesma comunhão da Sirian —, ela nega ter qualquer tipo de atividade oficial no Brasil, além de jamais ter ordenado qualquer padre brasileiro.
Veja os links abaixo: